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Certamente ele tinha uma espiritualidade elevada, que não é comum, eu não conheci ninguém como ele. Ele foi o único que eu conheci.
E no final da vida, a gente sabe que ele já sabia que não tinha mais possibilidade de tratamento, tudo o que se fazia era paliativo, eu tenho certeza de que ele já sabia disso, eu acho que ele preferiu não transmitir aquele sentimento de final de vida, de desespero para ninguém, eu acho que ele manteve sempre a dor dele com ele mesmo, no sentido de que ele ficava calado, ele não tinha aquele desespero, aquele apelo, aquele “pelo amor de Deus me salva”, ele aceitou, da maneira dele, que estava no fim da vida.
A sensação que eu tinha quando entrava no quarto dele é que ele estava sempre meditando, de olhos fechados, calmo, sereno, tranquilo, sem deixar que o meio, que as pessoas do meio contaminassem seus pensamentos, deixassem ele depressivo, choroso, apelativo. Ele nunca estava assim, sempre muito sereno, muito tranquilo, embora eu acredito que no fundo ele tivesse sofrendo. Mas isso me chama atenção, não é o comum. As pessoas no final da vida são muito apelativas, têm muita tristeza, muita revolta, muito desespero. Eu não vi desespero no Marcelo. Eu vi ele meditando, tentando entender o que estava acontecendo e acho que assim foi, até o fim.
Karla Richter Zanella

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